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As Tiras do Extracurricular Cucaracha 2.0

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gibi história em quadrinhos Histórias em quadrinhos

Quadrinhos que previram o futuro (2)

Na semana passada começamos este tópico, e nesta terminaremos. Se você nem faz ideia do que estamos falando, continue lendo.

Quadrinhos que previram o futuro (2)
Recomendo que leia também: http://www.criesuashqs.com/2016/01/3-dicas-para-melhorar-sua-hq/

 

 

Os “grandes entendidos” em ciências condenam as histórias em quadrinhos por mostrar situações que desafiam as leis da física e da química. No post anterior mostramos que não é bem assim. As HQs previram a clonagem de um ser vivo e a comunicação por rádio e TV em aparelhos portáteis. Segure firme seu queixo, porque o post de hoje vai muito mais além!

 

As histórias em quadrinhos, o futuro e o presente

 

Buck Rogers é um personagem de histórias em quadrinhos criado por Philip Nowlan em agosto de 1928. Aprisionado por acidente em uma mina abandonada, Buck é mantido em animação suspensa graças a um gás desconhecido, só acordando em 2430. O autor fez uma série de previsões acertadas: a igualdade de direitos e papéis entre homens e mulheres e passeios em naves espaciais. O mais incrível, porém, foi ter antevisto apetrechos acopláveis às costas, que permitem o voo individual… Quase do mesmo modelo visto em Rocketeer.

Ficção científica? Tal aparelho geraria calor demais e queimaria seu usuário, certo?

BuCk and Cliff

Buck Rogers, que teve sua primeira aparição na revista Amazing Stories, e Rocketeer, criado quase sessenta anos depois!

 

Permita-me então apresentar a você duas empresas – a TAM (Tecnologia Aeroespacial Mexicana), e a Jetpack International, para mostrar que os quadrinhos acertaram outra vez. Esses inventos fazem perto de 100 quilômetros por hora e conseguem se manter no ar por dez minutos.  Inclusive, já se encontram à venda! Veja se cabe no seu bolso, aqui.

 

Não uma: DUAS empresas tornaram a ficção em realidade!

Não uma: DUAS empresas tornaram a ficção em realidade!

 

Eu não me preocuparia tanto com o desempenho dos veículos. Lembre-se de que o 14-Bis de Santos Dumont saltava e subia pouco mais de 90 centímetros do chão. Os aviões de hoje em dia fazem muito mais que isso. Quanto à comparação de tamanhos entre o Jet Pack e os inventos que aparecem nas HQs, os rádios encolheram bastante desde seu nascimento. Chegar aos modelos diminutos de Buck Rogers é uma questão de paciência e da evolução natural da tecnologia. Ponto pras histórias em quadrinhos, de novo!

 

As histórias em quadrinhos aproximando futuro e presente

Vamos agora falar de mangás. O quadrinista Osamu Tezuka, à semelhança das obras de Isaac Asimov, criou, em 1952, o personagem Astroboy, imaginando uma sociedade em que humanos e robôs conviveriam normalmente. Com o atual desenvolvimento dos robôs assemelhados a humanos – os chamados androides – no próprio Japão, será que essa previsão não se encontra mais perto do que imaginamos?

 

Androides de ontem e de hoje.

Androides de ontem e de hoje.

 

O famoso repórter belga Tintim já se envolveu em dezenas de aventuras pelo mundo e até fora dele. Sim, pois ele chegou à Lua em 1954 – quinze anos antes do americano Neil Armstrong! Em 1865 – mais de cem anos de antecedência – Jules Verne fez três tripulantes darem uma volta pela órbita da Lua. Havia tecnologia para mandar um homem até lá no século XIX? Não. No caso, tanto Verne quanto Hergé, o pai do Tintim, usaram uma grande ferramenta para aguçar a imaginação: a pesquisa. A mesma usada pelos roteiristas de quadrinhos mencionados nesta matéria.

E sabem o que Tintim encontrou ao cair acidentalmente em uma caverna lunar? Água em forma de gelo. Hergé viajou demais? Acho que não…

Em 1954, Tintim achou água na lua! Os cientistas levaram mais tempo.

Em 1954, Tintim achou água na lua! Os cientistas estão perto de decidir se isso é fato ou fantasia.

 

Os quadrinhos também erram…

Para não ficarmos só nos acertos desses grandes visionários criadores de histórias em quadrinhos, vejamos Enki Bilal. A maioria de suas histórias se passa em um futuro pessimista, várias décadas após terem sido desenhadas. Ao visitarmos a Alemanha imaginada por ele, temos, ainda em pé, o Muro de Berlim!

Um erro... ainda bem!

Um erro… ainda bem!

O que podemos aprender com tudo isso?

Quando apreciamos uma história em quadrinhos, devemos aprender a separar a fantasia divertida da ficção embasada. Um dia, poderemos usar a antigravidade, conversar por telefones holográficos, atravessar o sistema solar em questão de segundos, ter amigos alienígenas, dinossauros de estimação e políticos honestos.

Acreditem no impossível.

 

 

Sobre o autor | Website

Giorgio Cappelli é editor, roteirista e quadrinista, trabalha no ramo desde 1994. Em 2014 resolveu abrir a Editora Bila, uma casa de publicações independentes, literalmente produzidas de próprio punho por ele, auxiliado por uma equipe capacitada de profissionais.

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